Um escriba procura convencer um jovem aprendiz das letras a não abandonar a sua profissão:
Disseram-me que queres pôr de parte as letras e te voltas para o trabalho do campo. (...) Não te recordas da condição do lavrador quando vêm cobrar o imposto sobre a colheita? Os vermes levaram-lhe metade do grão e o hipopótamo comeu o que restava. Caem os gafanhotos, a passarada pilha (...). Que calamidade para o camponês! O que ainda possa ficar na eira roubam-no os ladrões. A junta de bois morreu a puxar o arado. E, agora, o escriba chega ao porto (do Nilo), para taxar a colheita. Traz com ele guardas armados de varas. (...) E dizem: "Dá-nos o grão!" Mas ele já não o tem (...). Então batem no camponês, estendido no chão. Carregam-no de correntes e lançam-no no fosso; ele mergulha na água e chafurda, de cabeça para baixo (...).
O escriba está acima de todos. O que trabalha escrevendo não sofre impostos, não tem obrigações a pagar. Lembra-te bem disto.
"Sátira dos Oficios", Papiro Anastasi V. C. 1900 a. C.
Agora já sabes responder
1. Enumera as condições que tornavam pouco invejável a vida do camponês egípcio.
2. Compara a situação do escriba com a do camponês.
